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Cooperação com Benefício Mútuo é o Caminho Certo
2019/06/28
 

Recentemente, quase todos os amigos guineenses que se cruzaram comigo me perguntaram sobre a guerra comercial entre a China e os EUA. Evidentemente, a guerra comercial sino-americana não só diz respeito aos dois países, mas também está directamente ligada ao crescimento económico global. É um assunto de tamanha importância.

Afinal, do que se trata?

Em poucas palavras, o que está a acontecer ao longo de mais de um ano é que, os EUA,com o argumento de resolver o problema de desequilíbrio comercial entre a China e os EUA, têm vindo a empregar o método de pressão extrema, utilizando a tarifa como arma, negligenciando os consensos chegados entre as duas partes através de consultas.

Os EUA desencadearam unilateralmente a guerra comercial, insistindo no unilateralismo e protecionismo comercial, o que não está em conformidade com o princípio de igualdade e benefício mútuo que rege o relacionamento entre os países, tentando em vão obrigar a China a assinar um acordo desequilibrado.

Os EUA alegaram que o défice comercial entre os dois países ultrapassa 500 bilhões de dólares americanos, pelo que a parte americana perde mais do que ganha no seu comércio com a China. A parte americana até acusou a China de ter recuado nas suas posições. Essas acusações estão longe de corresponder à verdade. Eu sugeria que os caros leitores leiam os dois documentos publicados pelo governo chinês neste mês, que dão para esclarecer várias questões importantes sobre a guerra comercial sino-americana, designadamente o Livro Branco da Posição da China sobre as Consultas Económicas e Comerciais Sino-Americanas e o Relatório de Pesquisa sobre os Benefícios dos EUA na Cooperação Económico-Comercial com a China.

Os EUA desencadearam a guerra comercial com o objectivo de resolver os problemas económicos do país. E sabe-se que a economia dos EUA está com sérios problemas. Muitos especialistas económicos dos diversos países, incluindo os dos EUA, têm sublinhado que o problema da economia americana reside não só na alta taxa de endividamento tanto do Estado americano quanto dos seus cidadãos em geral, mas também na má distribuição de riqueza.

Conforme o relatório de pesquisa feito em outubro de 2017 por Ray Dalio, fundador de Bridgewater Associates,cerca de 40% dos americanos têm que gastar todo o seu ordenado mensal, não podendo fazer nenhuma poupança. Uma sondagem divulgada pelo Federal Reserve dos EUA há um mês demonstra que, no caso de emergência que se precisa de 400 dólares americanos, 39% dos entrevistados não têm possibilidade de efectuar o pagamento por dinheiro vivo, depósito ou com cartão de crédito.

Com o desenvolvimento contínuo da globalização, a forte indústria manufatureira que gloriou os EUA têm vindo a perder a grande parte de nível médio e baixo, deixando apenas a indústria manufatureira da alta tecnologia no país.

A grande quantidade de operários foram obrigados a entrar no sector terciário de nível baixo. Os salários e regalias desses operários não têm conhecido reais melhorias ao longo dos últimos 30 anos e as suas situações relativas à educação e saúde deles é ainda mais preocupante.

Na opinião de alguns pesquisadores, a razão pela qual a Casa Branca iniciou a guerra comercial é justamente tentar recuperar os empregos na indústria manufatureira "roupados" por outros países, fazendo justiça aos mesmos 40% dos cidadãos americanos. Por isso, a guerra comercial não é apenas contra a China, mas também os países emergentes como o México e a Índia, até contra a União Europeia e o Japão. Mas a minha dúvida é são esses países culpados ou são apenas bodes expiatórios? Na opinião de alguns analistas,o objectivo da guerra comercial contra a China visa a impedir o crescimento da China. Eu espero que isto não seja a verdade.

Pode resolver o problema?

Não. A cadeia industrial global forma-se em conformidade com o nível dos elementos produtivos de cada país, e não é decidida pelo nenhum governo. Além disso, não é possível encontrar, ao curto prazo, um país substituto da China para fornecer aos EUA produtos de grande variedade, óptima qualidade e preços competitivos. Na verdade, ao longo de quase um ano da guerra comercial, tem-se diminuído o volume comercial entre os dois países, mas tem-se aumentado o défice comercial dos EUA. Não há nenhum vencedor nesta guerra comercial e ambos serão vencidos.

É por isso que, mesmo nos EUA, se regista uma forte oposição. O mesmo foi ilustrado por milhares dos pareceres de objecção dos diversos setores da sociedade americana enviados às autoridades dos EUA durante a audiência pública para aumentar as tarifas sobre os produtos chineses. Evidentemente, a guerra comercial não trará a "reindustrialização" para os EUA, visto que já está super-desenvolvida a indústria manufatureira da alta tecnologia, o que dificulta o aumento significativo dos postos de trabalho. A indústria manufatureira de nível médio e baixo também não vai voltar para os EUA só por causa dos seus elevados custos produtivos. O que é pior ainda é que, a guerra comercial, além de prejudicar os interesses dos dois países, trará sérios impactos negativos ao crescimento económico global.

Uma outra evetual explicação seria que os EUA, através da guerra comercial e prejudicando a economia de ambos, queiram impedir o crescimento económico da China. Isso não é uma escolha sensata, porque vai resultar no fracasso. A China possui o sistema industrial mais completo do mundo e um grande mercado de 1.4 bilhões da população. É o maior parceiro comercial de mais de 120 países e regiões e um dos maiores parceiros da grande maioria dos restantes países. A China também tem amizade sincera com todos os países em via de desenvolvimento. A economia chinesa está cheia de persistência e vigor.

No último ano desde o aumento das tarifas pelos EUA, a China conseguiu manter um notório e invejável crescimento superior aos 6%. Uma vida da população mais feliz e um país mais próspero não é apenas uma promessa solene do governo chinês para os seus cidadãos, mas também é um sonho de todos os chineses. A guerra comercial vai certamente causar grandes dificuldades para a economia chinesa. No entanto, para a nação chinesa com uma história milenária de vicissitudes, esta tempestade vai lhe trazer o arco-iris deslumbrante! Ninguém pode privar o direito dos 1.4 bilhões de chineses de ter uma vida melhor!

Qual é a saída?

A melhor saída é certamente chegar a um acordo ganho-ganho através de diálogo e consultas em pé de igualdade, o que beneficia não só a China e os EUA, mas também o crescimento económico mundial. Já entramos no Séc. XXI, em que se regista o aumento de interdependência entre os países, e todos nós estamos a viver nesta aldeia global com o futuro partilhado.

Por isso, devemos empenhar-nos na construção da comunidade de destino cumum, abandonando o conceito de jogo de soma-zero e a mentalidade da Guerra Fria. Estou em crer que cooperar é a única escolha certa para a China e os EUA. O Presidente da China, Xi Jinping, afirmou que, os grandes devem comportar-se como grandes e que a China está de braços abertos para oferecer boleias no comboio expresso de desenvolvimento da China a todos os países. Salvaguardar a paz mundial e promover o desenvolvimento comum é a esperança e promessa da China para o mundo, e também o caminho inevitável para resolver muitos dos importantes problemas mundiais.

A China, com menos de 2/3 do PIB dos EUA, contribui 30% do crescimento global, tornando-se no maior motor económico mundial. Faço votos de que os EUA, como a maior economia mundial, venham a dar boleias aos países em desenvolvimento, em vez de insistir constantemente em "America First". Espero também que os EUA possam esforçar-se para impulsionar o desenvolvimento comum dos países. Só assim é possível tornar os EUA grandes outra vez. O país grande deve comportar-se como grande!

Os Chefes de Estado da China e dos EUA vão ter em breve um encontro durante a cimeira do G20. Como a larga maioria, partilho também a esperança de que o encontro tenha o mesmo sucesso como o na Argentina. Sucesso esse que vai dar luz verde para o acordo comercial entre a China e os EUA e pôr ponto final à guerra comercial. Se isso vier acontecer, seria a sorte tanto dos dois países, quanto da economia mundial. No entanto, devemos preparar-nos para a continuação da guerra comercial, visto que a parte americana já mudou a sua ideia por três vezes. Oxalá!

Embaixador da China, Jin Hongjun

23 de Junho de 2019     

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